terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Bancos já possuem a ferramenta API

API é a sigla de Análise do Perfil do Investidor. É uma ferramenta que os bancos já possuem desde o início deste mês de janeiro para auxiliar o cliente das instituições bancárias a escolher qual é a modalidade de investimento mais adequada ao seu perfil. Investidores que estão iniciando seus investimentos em fundos de ação, multimercados ou de crédito privado estão sendo submetidos ao processo.

Segundo publicado hoje por Tabata Pitol Peres do InfoMoney, as instituições financeiras deverão aplicar um questionário que atenda às seguintes etapas:
  1. Coleta de informações que permita a identificação da situação financeira do investidor, sua experiência em matéria de investimentos e seus objetivos;
  2. Definição de um perfil de investimento para cada cliente;
  3. E a verificação da adequação dos objetivos dos clientes a carteira por eles pretendidas.

Assim, se vai fazer algum investimento, procure o gerente da sua conta e peça o questionário para fazer sua avaliação. Discuta com ele o resultado, pois se desejar fazer uma aplicação diferente da recomentada pela análise, terá que assinar um termo de responsabilidade.

domingo, 17 de janeiro de 2010

FGTS: Dinheiro do trabalhador?

Navegando pela Internet acabei me deparando com um texto sobre o FGTS de autoria de Klauber Cristofen Pires, com o título "O FGTS é um empréstimo Compulsório!" (se desejar ler todo o texto acesse http://libertatumarquivos.blogspot.com/2009/08/o-fgts-e-um-emprestimo-compulsorio.html). Nele o autor deseja comentar a perda do valor depositado em relação à Caderneta de Poupança, já que a rentabilidade anual do FGTS é de apenas 3% ao ano, enquando a Caderneta de Poupança é de 6% ao ano.

Até aí nada de novo e há realmente uma grande perda para o trabalhador, pois além da baixa taxa de juros, a TR (Taxa Referencial) anda decepcionando quanto à atualização monetária que ela deveria proporcionar para manter o valor depositado em relação à inflação. O problema é a forma com que o autor acima entende o FGTS. Ele considera o fundo como um empréstimo do trabalhador ao governo porque tem uma rentabilidade muita baixa em relação à poupança.

Também levanta um ponto que não posso concordar quando diz que o empregador, responsável pelo depósito do FGTS, desconta o valor depositado do salário do empregado. Ele menciona que "Esta é uma das mentiras mais bem solidificadas no imaginário nacional. Ora, desde quando um empregado é admitido, o empregador já conhece de antemão todos os custos que ele irá acarretar, e todos estes custos são, para o empregador, o salário do empregado, quer ele receba na mão...ou não." Menciona, neste ponto, as empresas de serviços terceirizados que incluem em sua planilha de custos o FGTS, mas como elas não entregam o valor na mão do trabalhador e depositam na conta do FGTS, estão descontando o valor que deveria ser pago ao empregado.

Realmente nas planilhas de custo destas empresas consta o FGTS como um dos itens de custo, assim como todos os outros encargos sociais decorrentes da contratação do empregador, tais como INSS, Férias, 13º salário, aviso prévio e tantos outros encargos impostos pela legislação às empresas neste país. O que o Sr. Klauber se esquece é a finalidade do FGTS, definida pela lei 8.036/1990. Como o próprio nome diz, FGTS é a sigla de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Uma das formas para sacar o saldo depositado é quando o trabalhador é demitido sem justa causa e, justamente nesta hora que o FGTS faz jus ao nome e à finalidade. Garantir algum recurso ao trabalhador para que ele consiga suprir suas necessidades enquanto perdurar sua situação de desemprego. Quanto mais tempo de trabalho, maior é o saldo, justamente porque ao ser mais velho e, muitas vezes, por ter ficado muito tempo em uma só empresa, há uma certa dificuldade em recolocação no mercado, já que a experiência deste trabalhador está limitada a poucas empresas.

Além disso, outras possibilidades de saque dão certa garantia ao trabalhador quando ele contrai matrimônio, quando está construindo ou adquirindo sua casa própria ou mesmo quando se aposenta. É para isso que serve o FGTS e não para ser entregue nas mãos do trabalhador, como supõe o Sr. Klauber. Se os empregados das empresas recebessem mensalmente o valor do FGTS, certamente incorporariam à sua renda e dificilmente depositariam mensalmente em uma caderneta de poupança o valor correspondente a 8% da sua remuneração. A garantia do trabalhador que os legisladores esperavam quando votaram a lei cairia por terra. Basta ver a quantidade de gente endividada que se acumulam nas financeiras, bancos e agiotas neste país.

Deixando de lado a questão levantada pelo Sr. Klauber se é empréstimo ou se o valor é descontado do empregado, cabe levantar a questão da rentabilidade do FGTS. Como a TR é calculada a partir da média da correção dos CDBs (Certificados e Depósitos Bancários), que são influenciados pela taxa básica de juro, a Selic, que está em queda, a remuneração do capital depositado é muito pequena e não acompanha o poder aquisitivo da moeda. Para isso, qualquer oportunidade para sacar ou utilizar o FGTS deve ser avaliada.

Alguns exemplos: sacar o FGTS para casamento ou construção/aquisição da casa própria, mesmo que não haja necessidade de utilizar o recurso depositado, deve ser considerada, pois depositando o valor sacado na Caderneta de Poupança (investimento com risco semelhante) já é negócio. Se o investidor desejar assumir riscos maiores, pode depositar em um fundo de renda fixa ou até mesmo renda variável. Há um tempo atrás o governo abriu a oportunidade para utilizar parte do valor do FGTS para aplicar em ações da Petrobrás e da Vale. Se o governo abrir nova oportunidade como esta, deve ser avaliada, pois a tendência da Bolsa de Valores é sempre de crescimento quando se trata de investimento a longo prazo.

Para finalizar, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou o projeto de Lei 193/08, que já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos e está em análise na Comissão de Assuntos Sociais, que propõe a troca da TR pelo IPCA para correção monetária do FGTS. Em 2009 o rendimento do FGTS foi de apenas 3,9%. Ficou abaixo da inflação além de ser o menor em 16 anos.

Se desejar uma rentabilidade maior para seu dinheiro para que o valor depositado seja realmente uma garantia quando houver necessidade, mande uma mensagem aos senadores do seu estado e peça para aprovar o projeto de lei. Estado democrático é isso: o povo dizendo aos seus representantes o que deseja que eles aprovem.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Alcool ou Gasolina?

Ultimamente a imprensa está insistindo muito nesta questão em função do preço do alcool em relação à gasolina, já que seu consumo por quilometro é maior. A questão, para quem tem carro com motor flex é sempre aquela: qual é o mais barato? Alcool ou gasolina?

Para quem é ambientalista e mais preocupado com a questão de sustentabilidade, poluição, etc, não há o que questionar. O alcool nos motores é menos poluente e se consome um tipo de energia renovável, pois deriva da cana-de-açucar.

Não sou especialista em meio ambiente nem engenheiro de automóveis. Tento ajudar na questão do custo. Se o seu caso é buscar a forma mais barata de andar de carro vou tentar ajudá-lo com uma conta muito simples.
Os técnicos dizem que o alcool, embora com um desempenho pouco maior do motor do carro, consome 30% a mais que a gasolina. Assim, a imprensa andou ensinando fazer a conta para ver qual a alternativa mais barata, dividindo-se o preço do alcool pelo preço da gasolina. Se este valor for inferior a 0,7, vale a pena abastecer com alcool. Se for maior, melhor utilizar gasolina no motor do seu carro. Vamos pegar o exemplo de um posto em Florianópolis (SC) que vende a gasolina comum ao preço de R$ 2,698 e o alcool a R$ 2,198. Neste caso, se efetuarmos o cálculo acima teremos 0,81 como resultado. Isto significa que o preço do alcool está 81% do preço da gasolina e, para ser vantajoso, deveria estar com menos de 70%.

Este cálculo simples leva em consideração que o alcool tem um consumo de 30% maior que o da gasolina. Contudo, penso que, para se ter uma idéia melhor do que vale a pena no seu caso, a conta deve ser feita de forma diferente. Como disse, não sou engenheiro e especialista em motores de automóveis. Vejo o lado financeiro apenas. Para isso, a conta que devemos chegar é quanto custa cada quilometro rodado com alcool ou gasolina. Isto porque os carros tem consumo, motor, desempenho, motorista (com pé mais ou menos pesado) diferentes e certamente a regra geral pode servir para uma base, mas não para ter o valor exato do custo nas condições específicas de cada um. Saber quanto custa rodar cada quilometro com meu carro utilizando alcool ou gasolina é a forma correta de verificar qual é o mais barato.

Para isso, você deve encher o tanque do seu carro (com alcool ou gasolina) e anotar a quilometragem atual e o preço do litro do combustível abastecido. Quando for encher o tanque novamente deve verificar a quantidade de litros utilizada e quilometragem que você andou desde a última vez que abasteceu. Para saber quanto custou andar um quilometro com este combustível, multiplique a quantidade de litros utilizada pelo preço unitário que abasteceu anteriormente e divida este valor pela quantidade de quilometros percorrida. Você saberá quanto custou rodar um quilometro com este combustível. É importante aqui fazer a multiplicação dos litros de combustível comsumido pelo preço que abasteceu na última vez e não pelo que esta pagando desta vez. Afinal, o combustivel consumido custou o valor anterior e não o atual.

Vamos exemplificar utilizando os preços de Florianópolis: você abasteceu seu carro com alcool e anotou que tinha 59.497 km no odômetro do carro e que o preço pago foi de R$ 2,198. Na próxima vez que abasteceu anotou que seu carro estava com 59.736 km e que utilizou 34,37 litros. Podemos ver que entre as duas vezes que foi ao posto, o carro rodou 239 km (59.736-59.497) e que o valor de custo deste consumo foi de R$ 75,55 (34,37l x R$ 2,198).

Se utilizarmos a metodologia de cálculo proposta temos que o custo do quilometro rodado é de R$ 0,31.

Supondo que a próxima abastecida foi com gasolina. Desta vez a quilometragem do carro estava com 60.138 km e foram colocados no tanque 40,812 litros de gasolina. Temos que foram rodados 402 Km (60.138-59.736) e que foram gastos R$ 110,11 (40,812 litros x R$ 2,698). Assim vemos que o custo por rodar com gasolina é de R$ 0,27.

É interessante fazer isso mais de uma vez com o mesmo combustível, pois os preços variam de posto a posto, as condições de utilização, trânsito, quantidade de combustivel abastecida, etc. podem variar. Fazendo esta conta uma três vezes seguidas com um combustível e outras três com o outro, teremos uma boa média para saber quanto custa rodar com cada combustível e saber qual deles é realmente o mais barato.

Aproveite seu final de semana!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cartão de Débito pode (e deve) ser usado pelos turistas no exterior


O cartão de débito da sua conta bancária aqui no Brasil é uma boa alternativa para não levar muito dinheiro nas viagens de turismo ao exterior. Antes da viagem sempre fica aquela dúvida: quanto devo levar de dinheiro? Esta dúvida surge porque muitas vezes não temos noção de quanto vamos necessitar de recursos, já que quase sempre não temos noção dos preços praticados no(s) país(es) que vamos visitar, principalmente de alimentação, ingressos para museus, parques e outras atrações. Se levarmos pouco dinheiro corremos o risco de faltar durante a viagem e se levamos muito, no retorno temos que vender a moeda e acabar com uma perda entre a diferença da taxa de câmbio entre a compra e a venda.

Na verdade, o cartão de débito dos bancos é aceito no exterior desde que o cartão do seu banco seja internacional. Você pode identificar isso facilmente, verificando se no verso tem o logotipo da "Cirrus" ou "Maestro" que são aceitos em diversas lojas, restaurantes e até mesmo para saque em caixa eletrônico.

Esta facilidade não só nos ajuda a decidir sobre a quantia a levar, já que minimiza a preocupação relacionada ao risco de ficar sem dinheiro, como também minimiza o risco de roubo e perda de dinheiro em espécie, pois, em caso de extravio, basta efetuar o bloqueio junto ao banco. Mais que isso, com o cartão de débito não há preocupação quanto ao câmbio, pois ele debita direto o valor em reais na sua conta corrente à taxa do dia da operação. Para isso, basta informar o seu banco a data da viagem e os países que vai visitar e utilizar normalmente nos estabelecimentos comerciais e caixas eletrônicos, com a mesma senha que utiliza aqui no Brasil.

O cartão de crédito também pode ser utilizado no exterior, desde que ele seja internacional, e também necessita informar o banco da sua utilização fora do país. A diferença é que podem aparecer algumas tarifas de câmbio e a taxa aplicada será a do vencimento da fatura e não da data efetiva da compra.

Boa viagem e aproveite suas férias!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Para manter as finanças em dia


Não gastar mais do que ganha é sempre a recomendação básica para manter as finanças em dia. Contudo, para muita gente isso não é tão fácil. Hoje em dia, com a oferta de crédito e as facilidades de pagamento que a rede varejista oferece, não é fácil resistir aquele sonho de consumo. Afinal, depois é possível pagar em suaves prestações mensais.

Ocorre que aquela "suave prestação" pode ficar pesada quando acumulamos várias outras "suaves prestações" que, juntas, complicam qualquer bolso. Para isso, há necessidade de alguma disciplina em relação ao consumo e as dicas abaixo são importantes para não ter complicações financeiras:
  1. Não decida por impulso na hora da compra;
  2. Pense e reflita se você realmente necessida daquele produto que deseja;
  3. Pesquise preços. Há grandes diferenças de produtos e preços que atendem às mesmas necessidades;
  4. Saiba aproveitar as liquidações e promoções. Muitas vezes é possível postergar a compra de um produto e aguardar pela promoção;
  5. Usar o cheque especial é muito fácil, mas é uma das formas de financiamento mais caras que existe. Jamais utilize o cheque especial na compra de produtos supérfluos;
  6. O cartão de crédito é uma forma excelente para pagar suas contas. É possível postergar os pagamentos e, além disso, ganhar pontos para trocar por presentes ou pontos em programas de milhagem das companhias aéreas. Contudo, a fatura deve ser paga integralmente no vencimento. As taxas de juros para pagamento parcial ou parcelamento são absurdas;
  7. Compre sempre à vista. Assim você não compromete sua renda futura e aproveita bons descontos.

Siga as dicas acima e seja feliz. Afinal, dinheiro não é tudo na vida e tem muita coisa que traz prazer e felicidade que não custa nada.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Prometo que não toco mais neste assunto

Agora o negócio nem é mais planejamento. É o resultado do que acontece neste nosso (des)governo. Não é o propósito deste blog falar mal do governo, mas não me aguentei.

Usei uma trapalhada do governo para exemplificar a questão do planejamento ao contrário da improvisação. Contudo, parece que a coisa não funciona mesmo. Vejam a última:

No dia 16/10/2009, às 16h24 a Folha Online publica a seguinte notícia:


Lula nega que governo estude voltar taxação sobre entrada de
dólares

da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Siva negou nesta sexta-feira (16) que o governo estude retomar a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) na entrada de dólares no país.
"Essas coisas de economia a gente não pode falar. Estou aqui há três dias viajando, não tem nenhuma previsão de a gente fazer qualquer taxação", disse em entrevista a jornalistas em Cabrobó, Pernambuco.
Nos últimos dias havia rumores de que a medida seria tomada pelo governo em função da contínua desvalorização do dólar ante o real. Lula disse que é muito "cuidadoso" com informações na área econômica. "Quando sai uma notícia errada na área econômica quem sofre é o povo brasileiro", afirmou.


Isso que nosso presidente, Sr. Luiz da Silva, é cuidadoso ao dar as notícias. Contudo, ao que parece, não é ele que manda no (des)governo e hoje (19/10/2009) a mesma Folha Online estampa a seguinte informação, às 18h29:


Entrada de capital estrangeiro terá taxa de 2% de IOF

TATIANA RESENDEda Folha Online

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou nesta segunda-feira que a entrada de capital estrangeiro será taxada em 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) a partir de amanhã. A taxação vale para aplicação de renda fixa e na Bolsa de Valores.
A decisão ocorre apenas três dias após o presidente Lula negar a criação de taxas sobre o capital estrangeiro.


Não quero ser repetitivo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Quem conhece o que é planejamento não paga mico


Não vou repetir aqui a importância do planejamento, pois tudo que penso está escrito logo abaixo. O que desejo aqui é pegar novamente o exemplo do nosso (des)governo na questão da restituição do imposto de renda aos assalariados.

Se os nossos governantes usassem mais a cabeça para pensar, analisar, avaliar as decisões antes de divulgá-las, poderíamos ter um pouco mais de confiança nas suas decisões. O exemplo da devolução do IR é importante para vermos como é importante planejar as nossas decisões.

Pelo visto, me sinto dentro de um barco me levando a favor do vento e da maré. Sem direção. Apenas seguindo a pressão de quem grita mais alto. Tenho mais um belo exemplo para minhas aulas de planejamento financeiro.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"Sem caixa, governo segura restituições do IR deste ano"

O título acima é a manchete da Folha Online de hoje e reflete um tema que tenho insistido em sala de aula com os alunos: a importância de planejamento. O texto na Folha On Line, logo abaixo do título diz: "Medida, autorizada pelo Ministério da Fazenda, serve para compensar parte da queda de arrecadação de tributos neste ano, informa reportagem da Folha".

Compensar a queda na arrecadação às custas do contribuinte? E mais, daquele contribuinte que paga imposto adiantado e que espera que o governo lhe devolva a parte indevida que o governo arrecadou adiantado.

É bom lembrar que a maioria dos que pagam imposto de renda são os assalariados que tem o imposto descontado dos seus vencimentos. Estou falando daquele que está trabalhando dentro da economia formal e que não tem como escapar disso. Este é o que está sendo penalizado pela falta de planejamento do nosso governo.

Vamos falar um pouco de planejamento. Planejar é decidir com antecedência o que queremos que aconteça no futuro. Isso não quer dizer que teremos controle do que vai acontecer no futuro, nem que bola de cristal funciona. O futuro pertence a Deus e Ele sabe o que vai acontecer com nosso destino. Entretanto, podemos visualizar o que queremos, fixar alguns objetivos e perseguir esse futuro através de um planejamento das nossas vidas. Posso planejar o estudo do filho recém nascido e decidir abrir uma poupança hoje para ele; posso decidir que vou comprar uma casa dentro de alguns anos e me preparar para isso desde já, etc.

Sem planejamento somos como um barco lançado ao mar, seguindo para onde o vento soprar. Ele nos leva para todos os lados e pode nos fazer ficar dando voltas e não ir a lugar nenhum. Quando planejamos, lançamos nosso barco ao mar com um destino certo. Mesmo que o vento nos empurre para outra direção, sabemos para onde queremos ir e vamos nos esforçar para corrigir o rumo e retomar nosso objetivo.

O planejamento é fundamental na nossa vida como pessoa (nas finanças e na carreira profissional) e como família. Não menos importante nas empresas. Temos que fazer planos e esperar em Deus (que é Senhor do nosso futuro) que ele se realize. Salomão, com toda sua sabedoria, disse no livro de Provérbios (16:1) que "O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR". Jesus Cristo também nos ensina a importância do planejamento quando, no evangelho de Lucas (14:28-31), diz a seus discípulos: "qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?"

Planejar implica tentar ver um futuro óbvio pela frente. Qual o rei que vai para a batalha sabendo que não tem soldados suficientes para combater o inimigo? Tenho que ver as minhas condições, que adversidades e desafios tenho pela frente e medir minhas condições para isso. Não adianta sonhar com um castelo, se não tenho condições para um casebre. Tenho que sonhar, fixar metas, mas dentro da minha realidade.

Voltando ao início deste texto, fica sempre a pergunta: será que o nosso governo não viu o futuro que tinha pela frente, quando, sabendo da crise, não previu que as vendas das empresas cairiam, que o desemprego aumentaria, etc. Mesmo assim, ao reduzir o IPI não viu que a arrecadação cairia? A falta de visão e planejamento do governo está penalizando o assalariado, que paga mais imposto do que deve e que além de ter que esperar a declaração de renda para apurar o valor que lhe foi tomado a mais, ainda fica sem prazo para receber de volta.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Educação Financeira

Neste domingo tive uma experiência inédita. Há um tempo atrás me ofereci para falar sobre finanças a um grupo de crianças na Igreja Presbiteriana de Florianópolis. Inicialmente, falar de finanças me parecia uma tarefa tranquila, ainda mais para crianças. Seria apenas uma horinha e certamente eu tiraria de letra. Ledo engano!

A medida que a data se aproximava fui ficando cada vez mais apavorado. Me perguntava como fui me oferecer para uma atividade desta. Afinal, falar para crianças merecia uma metodologia totalmente diferente do estou habituado. Não poderia ir à frente da turma e fazer uma palestra ou dar uma aula, como costumo fazer com adultos. Como faria para deixar as crianças atentas e interessados no tema?

Enfim, passei pelo teste, pois ao final do encontro um pai que chegou para buscar seu filho disse que o pessoal deve ter gostado, pois encontrou todos quietinhos me ouvindo. Logicamente fiz uma dinâmica que despertasse o interesse deles pelo assunto.

Pensei em falar para as crianças, pois entendo que toda oportunidade é válida para evitar desastres financeiros constantes na vida de muita gente adulta. A falta da educação financeira na infância é um dos motivos que levam as pessoas a se endividarem.

Bom, gostaria de resumir um pouco o que tentei passar àquelas crianças:
  1. Em primeiro lugar devemos planejar nossos gastos. Não se pode gastar mais do que se ganha e, independente do valor, deve-se organizar a vida financeira de maneira que não falte no final do mês. A dica aqui é fazer sempre a seguinte pergunta quando se quer efetuar algum gasto: "eu realmente preciso daquilo que eu quero?" Basta pensar em quanto dinheiro já foi gasto (ou jogado no lixo) com coisas que trazemos para casa e nunca utilizamos. Usar a cabeça e pensar um pouco, ajuda a conter o impulso consumista.
  2. Em segundo lugar, temos que ter metas financeiras. Objetivos de consumo futuro nos forçam a poupar no momento. Podemos ter como meta uma viagem, uma casa, um carro novo, uma festa, a educação dos filhos, aposentadoria, etc. A lista pode ser enorme e só conseguiremos concretizar muitos desses objetivos se planejarmos nossos gastos e pouparmos parte da renda. Sobre alternativas de investimento, posso postar algo mais tarde.
  3. Para conseguir alguma poupança, devemos gastar com sabedoria. A propaganda, em geral, nos leva a consumir o que não precisamos. Afinal, a propaganda é feita para isso: vender. Neste sentido, não precisamos comprar tudo que está sendo anunciado. Gastar com sabetodia também significa comparar preços entre os lojistas, negociar com vendedores, procurar descontos e aguardar as promoções. Devemos lembrar que o lojista não pode ficar com seu produto na prateleira. Ele tem que vender e por isso uma boa negociação na venda pode trazer vantagem ao comprador e também ao vendedor, que coloca dinheiro no caixa para repor seus estoques.
  4. Não comprar a prazo é outra dica importante. Existem juros embutidos no preço dos produtos parcelados e geralmente as taxas são elevadas. O melhor que se deve fazer é poupar e comprar a vista, aproveitando descontos e pagando menos.
  5. Finalmente, pude falar às crianças a respeito da ética quando se trata de dinheiro e, consequentemente, o respeito com as pessoas quando se assume algum compromisso financeiro. É uma questão importante de educação que normalmente vem de berço, mas que vem se deturpando nos dias de hoje. O que é meu é meu e devo brigar por isso. Contudo, aquilo que é de outro devo devolver.

As dicas não servem apenas para crianças, mas para qualquer um que liga com dinheiro. Só espero que a semente plantada na cabecinha daquelas crianças possa germinar e que de frutos no futuro.

Um abraço.

domingo, 23 de agosto de 2009

Caderneta de Poupança


Faz tempo que não posto nada por aqui. O tempo anda curto. Mas tenho sido questionado a respeito das mudanças que devem acontecer na Caderneta de Poupança e o que fazer com os investimentos.

Como sempre, nosso presidente, Sr. Luiz da Silva, se precipitou quando anunciou as alterações na Caderneta de Poupança. Logo no primeiro mês houve um crescimento negativo, mas já se recuperou e passou a ser a melhor alternativa para quem tem poucos recursos para um prazo curto e que tem aversão ao risco.

Ocorre que a forma mais popular e mais tradicional de investimento no Brasil tem que mudar, já que à medida que a taxa de juros vai baixando para níveis mas adequados as padrões internacionais, não podemos ficar com uma alternativa de investimento que tenha taxa fixa de 6% a.a. mais a TR. Isto, certamente, é um atrativo para esta modalidade de investivento, mas cabe ao governo manter o equilíbrio da poupança nacional e não deixar canalizar toda ela para apenas uma alternativa que, basicamente, aplica seus recursos em crédito imobiliário.

Mantendo a Caderneta de Poupança nos níveis atuais, desestimulará a canalização de recursos para os CDB's, fundos de renda fixa, etc. já que normalmente estão atrelados à SELIC/CDI que vem caindo a cada reunião do COPOM. Daí a necessidade de alteração nas regras básicas, principalmente na taxa de juros.

Cabe lembrar que a Caderneta d Poupança já foi uma grande alternativa de investimento na época da inflação alta e já teve suas quedas em função da rentabilidade fixa que ficou bem menor quando o Governo aumentou a SELIC para combater a alta da inflação. Atualmente estamos vivendo um momento de SELIC baixa o que incentiva o pequeno (e médio também) investidor a manter seus recursos investidos nesta modalidade.

Algumas considerações importantes a respeito da Caderneta de Poupança: em primeiro lugar, deve-se levar em considerção que a rentabilidade da Caderneta de Poupança em 2007 foi de 7,70% a.a. e em 2008 de 7,90% a.a. e que em 2009 já acumulou 4,75%, o que não é tão mal comparado com alguns fundos de investimento destinado a pequenos investidores; em segundo lugar, não tem incidência de Imposto de Renda (para pessoa física e entidades sem fins lucrativos); em terceiro lugar, não tem Taxa de Administração que em alguns bancos chegam a cobrar 5% a.a.; finalmente, o risco é baixíssimo, já quem tem um fundo garantidor do governo para aplicações até R$ 60.000,00.

A dica para pequenos investidores, portanto, é manter seus investimentos na Caderneta de Poupança como alternativa, porém ficar atendo às mudanças que o Governo deverá promover em breve para ver até que ponto ela atinge seu investimento.
Da minha parte vou tentar manter o leitor informado a respeito desta e de outras modalidades de investimento de interesse geral. Boa semana!